Comemorando 12 anos da Lei Prefeitura de Paranaguá acerta detalhes finais para a Patrulha Maria da Penha

“Mesmo com a patrulha não estando 100% ativa, mas já estamos atendendo algumas ocorrências.” Declara a Comandante de Equipe da Guarda Municipal de Paranaguá Marcia Garcia.

Com 30,8 homicídios por 100 mil habitantes, o Brasil tem uma taxa três vezes maior que o limite definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para considerar a violência epidêmica. O Brasil também registrou um novo recorde também na violência contra a mulher. O número de estupros aumentou mais de 8% quando comparado com 2016 e chegou a mais de 60 mil casos. A cada 10 minutos um estupro é registrado no país. Na prática, esse número pode ser dez vezes maior, já que menos de 10% dos estupros são registrados em boletins de ocorrência.

Por isso, hoje em nossos estúdios, recebemos a Comandante de Equipe da Guarda Municipal de Paranaguá Marcia Garcia que será também Coordenadora da Patrulha Maria da Penha. Uma profissional qualificada e preparada para enfrentar essas situações cotidianas a respeito da violência contra a mulher.

Está sendo manchete em todas as localidades do Brasil, este último fato ocorrido com a advogada Tatiane Spitzner, relembre o caso:

Professor Luis Felipe Manvailer, de 32 anos, foi preso no domingo (22), sob a suspeita de ter jogado a companheira Tatiane Spitzner, de 29 anos, da sacada do seu apartamento, em Guarapuava, município a 258 quilômetros de Curitiba, no Paraná. A prisão aconteceu após ele se envolver em um acidente na Rodovia BR-277, no sentido de Foz do Iguaçu. A polícia acredita que, após jogar a vítima, Manvailer recolheu o corpo da jovem na calçada e o levou para dentro do imóvel.

“Após dirigir a noite toda de Guarapuava até aqui perdeu o controle do carro parando entre as duas pistas que ligam São Miguel até Foz do Iguaçu. Se fosse uma situação normal ele chamaria o guincho da concessionária e sairia daquela situação, mas no caso, ele continuou a pé no sentido de Foz do Iguaçu”, disse o delegado de São Miguel do Iguaçu, Francisco Sampaio.

Segundo a polícia, o suspeito tentava fugir para o Paraguai. “Chama atenção que após o tombo ou empurrar (a vítima), ele foi lá e recolheu o cadáver, trouxe para o prédio, pegou o carro da família e tentou fugir, pensou eu que para o Paraguai. Ele nega o tempo todo (ter jogado), a polícia trabalha com indícios, tanto é que não acreditei na versão dele e enquadrei a atitude dele como feminicídio”, disse o delegado.

Arquivo: Facebook

A discussão entre o casal teria ocorrido na noite de sábado, 21, na comemoração do aniversário de Manvailer, quando a vítima teria pedido para olhar o telefone do namorado. “A partir dali começaram as discussões, seguiram dali pra casa discutindo ainda e em casa, de acordo com ele, a discussão aumentou o tom, ela veio pra cima dele, que a imobilizou no sofá, e de acordo com ele, ela tomou o rumo da sacada e teria se atirado de repente”, relatou Sampaio.

O delegado, porém, não acredita na versão dada pelo professor. “Essa versão não me parece nem um pouco verossímil, até porque alguns vizinhos foram ouvidos já, no sentido que ela gritava por socorro por várias vezes, inclusive quando foi até a sacada”, concluiu Sampaio.

“Infelizmente, 80% dos casos de violência contra mulher que atendemos, acontecem dentro da própria residência e essas pessoas são ligadas as vítimas, são parceiros, maridos, namorados. Essas mulheres hoje, vivem um ciclo de violência, começando com uma briga, uma discussão e então partem para a violência, mas, depois o homem torna-se “bonzinho” de novo e é esse ciclo que violência que a mulher demora para reconhecer.” Destaca a Comandante de Equipe da Guarda Municipal de Paranaguá.

A Patrulha Maria da Penha, servirá para orientar essas mulheres. Um trabalho em conjunto com o Fórum, onde a Comandante Marcia, procurou contato com as Juízas para poder explicar como funcionará o projeto que trará o benefício para a vítima de medidas protetivas.

Larry Cesar, Comandante Marcia Garcia e Claudio Rodrigues nos estúdios da Rádio Difusora Mais FM 104.7.

“Iremos fazer visitas à essas mulheres, cadastra-las e a qualquer momento essas mulheres em que nos chamar, tanto a nós quanto a polícia militar.” Afirma Marcia Garcia.

A Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência recebeu 72.839 denúncias, que incluem relatos de violência sexual, homicídio, cárcere privado e outros, entre janeiro e junho deste ano. Os registros foram feitos por meio do Ligue 180, serviço criado pelo governo federal em 2005 para dar assistência às vítimas.

Os números sobre violência contra a mulher são divulgados pelo Ministério dos Direitos Humanos, nesta terça-feira (dia 7 de agosto), dia em que a Lei Maria da Penha completa 12 anos.

Os dados dos primeiros cinco meses do ano correspondem a 47% do total registrado em 2017 (156.839). O governo destaca, porém, que, em alguns casos, houve um aumento do número de denúncias. Foram constatados os crescimentos de 37,3% nos relatos de homicídio e de 16,9%, de violência sexual.

“Dois dados muito agravantes, que foram repassados por um jornal muito renomado no país, é de que 1.133 mulheres foram mortas no ano de 2017, e ocorreram 60mil estupros, e esses números, são aqueles que estão sendo denunciados mas e os que não são? Muitas mulheres ainda tem esse medo em denunciar, medo da vida dos filhos, portanto elas precisam ter esse amparo judicial, pois muitas vezes, as mesmas acham que não podem denunciar.” Salienta a Coordenadora da Patrulha Maria da Penha.

Os estados de onde mais partem denúncias são de São Paulo (9.863), Rio de Janeiro (9.317), Minas Gerais (6.499) e Bahia (4.813). Na Região Norte, houve o maior crescimento no número de denúncias: Amazonas, 34,8% a mais; Roraima, 34,6%; e Amapá, 6,1%.

Em 2017, ao lançar campanha pela humanização do parto normal, o governo passou a incluir a violência obstétrica entre os tipos de denúncias recebidas pelo Ligue 180. Nos cinco primeiros meses do ano, primeiro período em que o tópico é destacado em levantamentos do ministério, foram recebidos 40 relatos desses casos.

Comandado pela Secretaria Nacional de Políticas para Mulheres, o Ligue 180 funciona 24 horas todos os dias, incluindo feriados e fins de semana.

“Mesmo com a patrulha não estando 100% ativa, mas já estamos atendendo algumas ocorrências, além de tudo, orientamos a vítima e a protegemos, e assim elas se sentem mais seguras tendo alguém que elas confiem.”

Comandante de Equipe Marcia Garcia e Larry Cesar, nos estúdios da Rádio Difusora Mais FM 104.7.

Paranaguá não está muito distante de outras cidades com casos como estes, de situação de violência contra a mulher. 112 medidas protetivas já estão ativas em nossa cidade em vigor: “Essa medida protetiva é ativada quando a mulher já sofreu violência, a medida protetiva se enquadra a vários casos, é bem abrangente.” Ressalta Marcia.

É importante lembrarmos que a violência não se enquadra somente na agressão física, mas sim verbal, virtual, patrimonial, moral, portanto, um soco, xingamento, palavra mal referida a mulher, já caracteriza como um dos primeiros sinais de violência.

“A violência é tudo o que pode constranger, humilhar, ameaçar, enganar. A Lei Maria da Penha está ai para ajudar a mulher, para que ela conheça os seus direitos. Briga de marido e mulher não se mete a colher, se mete sim, se você observar qualquer situação de violência, denuncie para evitar danos futuros.” Disse a comandante.

Além do projeto Patrulha Maria da Penha está em andamento o botão do pânico junto com a assistência social, que tem o objetivo de ser um trabalho em conjunto e o primeiro passo é ir na delegacia fazer o boletim de ocorrência, para que as autoridades possam tomar as medidas cabíveis.

“A Lei Maria da Penha é uma Lei que foi escrita por mulheres, para mulheres, e estamos aqui para proteger, trazer segurança para as nossas mulheres parnaguaras. Percebeu o primeiro sinal de agressão? Vá a delegacia e faça um boletim de ocorrência para que as autoridades possam tomar as medidas cabíveis.”

Veja o detalhamento dos números registrados pelo Ligue 180 entre janeiro e junho de 2018:

Cárcere privado – 2.611 casos

Homicídio – 899 casos

Tráfico de pessoas – 102 casos

Violência física – 34 mil casos

Violência moral – 3.381 casos

Violência patrimonial – 1.447 casos

Violência obstétrica – 40 casos

 

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Violência psicológica – 24.378 casos

Violência sexual – 5.978 casos

Assédio no esporte – 3 casos

Por isso, confie, ligue e denuncie:180, violência contra mulher é crime!

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